Amor e carinho sem preço
Por que se convencionou estabelecer o segundo domingo de maio como sendo o Dia das Mães? Neste dia, é de praxe os filhos prestarem suas homenagens, oferecerem presentes e deixarem suas mães liberadas dos trabalhos rotineiros, numa forma de reconhecimento, carinho e amor. Será que nos demais 364 dias do ano são desnecessárias todas estas manifestações? A mãe deixa de ser a geradora de vida, a peça principal do processo de perpetuação da espécie humana? A rainha do lar?
Absolutamente. A movimentação em torno desta figura de mulher, aqui e ali, nos lares, nas escolas, nos bairros, nas vilas, no interior e na cidade, deve-se à mídia. Não há como negar o grande poder de persuasão e o fascínio que os meios de comunicação exercem sobre o consumidor.
Somos, na realidade, uma sociedade consumista, e consumir é a palavra de ordem.Motivados pelo oportuno evento, a indústria e o comércio adotam uma estratégia prática de vendas para aquecer seus negócios e desta maneira caímos na rede sem qualquer resistência. São flores, artigos de uso pessoal, utensílios domésticos,perfumes, artigos para o vestuário, jóias,celulares e até um carro zerinho - presente que o papai mais abastado faz questão de dar. Do mais humilde ao mais ostensivo presente, o consumidor não regateia para agradar. Numa visão mais simplista, nada disto seria necessário. Bastariam o carinho e o amor pela mãe, numa demonstração cotidiana, sem limite de tempo e data pré-estabelecida.
É possível pensar nisso tudo em termos de universalidade? As mães do mundo inteiro serão lembradas hoje?
Nos países subdesenvolvidos, nas regiões mais pobres, qual o presente, a homenagem ou o agradecimento que as mães recebem de seus filhos, em algum dia de sua vida? No regaço materno, apenas um corpinho esquálido, uma face triste com olhos esbugalhados, sem culpa de ter nascido. Agradecer como? Homenagear a quem?
E as mães de rua? Mulambentas, sujas,que residem embaixo das pontes, receberão um presente no seu dia? E as mães índias, "algumas delas" que deixam o seio ser sugado por símios, ao lado do filho, gerado em seu ventre? Instinto? Maternidade irracional? Estas mães, vivendo precariamente e sem recurso, não mereceriam também ser homenageadas/ Receber um carinho?
Com certeza todas as mães merecem a atenção, o carinho e o amor de seus filhos.Mas isto não exige um tempo especial, uma hora programada, um dia tal, nem dinheiro algum para pagar. Basta haver espontaneidade, sensibilidade, emoção e um coração grande para entender. Um beijo para todas as mães do mundo.

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