Bicharada filosofal
Engraçado como nossos bichinhos se apegam a gente, desde que sejamos carinhosos com eles ou os tratemos bem. Harry Potter que me perdoe, mas a fauna doméstica é indispensável e essencial em nossa infância. Me criei rodeada por pets de toda espécie. Desde o disciplinado Treff, companheirão de papai em suas caçadas, quando apontava ladinamente as perdizes para o abate, até o malandro Basco, incorrigível em suas proezas, destruindo os tapetes da casa, correndo atrás das galinhas e pintinhos na época da liberdade nos fundos da casa, sem esquecer o dócil e amado Sadã, cujo nome nem de leve se parecia com o temido dominador, pois era de uma candura tal, que se dizia ter parentesco com algum coelho da criação. Não tenho conta do número e do nome dos "vau-vau" que acompanhavam nossas peraltices, rolando pelos gramados da casa paterna. O terreno que rodeava a propriedade era tão grande que nos permitia ter um viveiro com uma infinidade de pássaros e aves canoras, papagaios, jacús, cardeais, marrecos e tartarugas que usufruíam as águas de um pequeno lago, criado engenhosamente no interior do cercado. Houve um tempo em que o tal viveiro era o fascínio da cachorrada. Também pudera, com tanto movimento e zoeira naquele mini-aviário, impossível permanecer indiferente! Mas não era só o viveiro a maior atração para os dogs da casa. Meus irmãos criavam os tais de pombos-correio. Se os pombos levavam cartas às suas namoradas, não sei. Sei apenas que colocavam aneizinhos com identificação para o cadastramento de cada nova pombinha chocada. E foram muitas. Pra lá de cem. Começaram com um casal, e a reprodução foi rápida, descontrolada até. Quando as pombas resolviam sair voando em grupos ou em dobradinha, ninguém segurava os cães da casa. Uma espécie de desafio da velocidade/ patas e asas. Se não corre, o bicho voa, se corre voa mais. Quem pode mais, na terra ou no ar? E viva-se em paz com a parafernália criada, primeiramente como hobby, mais adiante pelo prazer de colecionar bichos. Tinha também os nossos gatos. Hah! Estes congestionavam o trânsito dos quadrúpedes no jardim e faziam pegas incríveis. Quando papai voltava do trabalho, o bicharedo corria ao seu encontro, pois além do agrado que recebiam, era certo uma guloseima trazida em seu bolso. Engraçado como cães e gatos adoram chocolate. Ou melhor, quem comia chocolate éramos nós, os filhos da casa, mas no eclodir da festa, a brincadeira contagiava a todos. Pois é, comecei este blog querendo falar do amor pelos bichos. Divaguei e me desviei do assunto. Queria falar de um gatinho especial. Não é nenhum dos meus bichanos cujo ronronar nem o tempo deixa esquecer. É um gatinho dos dias de hoje, bem atual, portanto.O gatinho de um amigo meu. Pois olha, este gatinho quedou-se de amores pelo seu dono. Ou seria pelos seus sapatos? Nem meu amigo consegue explicar o despertar deste amor.Diz que o bichinho se esfrega e se aninha por entre os cordões e a fofura do couro amassado de tal maneira, que esquece as brincadeiras com o novelo de lã. Vê se entende este gostar. O instinto de amor é forte mesmo...

1 Comments:
Reli novamente... tá uma belezura suas palavras de carinho com os animais. Claro, não chega a tanto para ser da Sociedade Protetora. Mas está lindinho este texto, inda mais, com a foto daquele gatinho. Oi, gatinho! Oi.
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