Tuesday, October 12, 2004

Amoras de minha infância

Fugimos do burburinho da cidade , minha amiga Meg e eu, em direção ao sítio que lhe coube como herança de seu amado "comandante". O dia está agradável e a brisa suave mostra a cara da estação primaveril que recém desperta com seu alvores e matizes. O sítio fica bem perto da minha cidade, que em outros tempos eu chamava carinhosamente "minha santinha". Canteiros floridos junto à BR, ladeando o Distrito Industrial, são um cartão de visitas para os turistas que visitam a city durante a semana da Oktoberfest. O cenário rude do monumental maquinário das fábricas, que enriquecem a região com seu contínuo vai-e-vem, ganhou nova vida. Como tudo ficou diferente!Acho que mudou para melhor.
Saímos da estrada principal. O carro segue lentamente e entre risos e desvios do trecho esburacado em frente, cortamos a picada empoeirada para chegarmos ao sítio. O portão de toras primitivas abre-se facilmente. O chateau antigo e rústico está interditado, pois abelhas invadiram todo seu interior, impedindo a entrada de quem quer que seja, até que o caseiro faça a dedetização indicada para estes casos. Quem se arriscaria a entrar nesta colmeia agitada e mortífera, embora doce e saudável? O que fazemos então? Meg, muito afoita, decide andar pelo sítio, contornando o enorme açude até o riacho que está lá no fundo do campo. A relva rasteira, pipocada por flores multicoloridas forma um tapete macio e aveludado. A natureza aqui é pródiga. Lá no fundo uma amoreira carregada de frutas pretas e madurinhas chama nossa atenção. São amoras. Amoras? Num salto, nós duas descemos do carro e em disparada nos atracamos a comer as amoras. Voltamos ao tempo de nossa infância quando devorávamos amoras dizendo umas às outras: "Tu gosta de amora? Vou contá pro teu pai que tu namora". Que brincadeira mais sem graça! Em outros tempos era assim que a gente se divertia. Era bem engraçado pois fazia-se corrida pra ver quem conseguia comer mais frutinhas. Dentes, boca, língua, mãos e dedos ficavam pretos ou roxos. A gente se transformava em legítimos monstros azulados. Depois desta fartura de amoras, Meg e eu saímos do sítio como tais. Voltamos a ser crianças. E foi bom, pois era justamente o Dia das Crianças. Oxalá todas as pessoas conservassem um pouco da criança que já foram um dia.

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