Wednesday, June 23, 2004

VÔO SIMULADO ( Em capítulos)

Tudo preparado. A grande aeronave,estática, estava pronta para iniciar o percurso projetado durante muito tempo. O roteiro poderia ser modificado, mas não era prevista nenhuma escala. O enorme painel aguardava o comando para aquele que seria meu primeiro vôo. Não faltaram as orientações de praxe, com mil e um conselhos entremeados de votos de sucesso e felicidades. A partir daí, não necessitaria do livro de instruções para pilotagem, uma vez que a instrutora tutelar, com sua presença diuturna já se encarregara de fazer a sua parte, com esmero e carinho. Na arte de pilotar, ela era uma expert e não foram poucas as vezes que ela demonstrara sua habilidade. Também podia dispensar o guia do marinheiro de primeira viagem. É preciso ser muito ingênuo para não saber que, em alto mar, as ondas gigantescas não se fazem anunciar e em suas reviravoltas fazem emergir os mistérios de suas recônditas profundezas. Na verdade o que me aguardava - e isto eu nem podia imaginar- não era o mar azul e sim o azul celeste do espaço infinito, desconhecido, que então surgia diante de mim como um aceno de esperança , tranquilidade e prazer. Para o alto e para frente era meu destino. Seria o destino daquele vôo a expectativa daqueles que aguardam o trajeto do ponto inicial sem turbulência ou imprevistos mais graves ?
Ocupei o assento que estava reservado na cabine de comando. Coloquei o cinto para ter um vôo tranquilo, sem sobressaltos. Era como se colocasse uma aliança de proteção que me traria segurança, garantindo-me felicidade e sucesso para tão almejado projeto de vida. O vôo iniciou com um impulso e velocidade supoersônicos. Medida de tempo proporcionalmente inversa ao que na verdade corresponde aos dias, meses e anos embutidos naquela viagem tão esperada.

Continua...

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