Balde de água fria
Também não precisava ser tão fria assim.
Pedi que jogasses um balde de água fria no braseiro de meu coração. Agora estou gelada. Meu corpo está passando por um processo de purificação. Minhas pernas paralisaram e não posso apreciar o pôr-do-sol do Guaíba.Não posso correr com minha pipa colorida ,cheia de bilhetes secretos com perfume de mim.As flores mimosas de "meu cantinho" não recebem o carinho e cuidados reservados a elas diariamente. Estou tentando me reaquecer. Lá fora, a chuva cai devagar e eu lembro a rapidez dos momentos em que nos entregamos aos nossos afetos e a terra se metamorfoseou. Desapareceu o dia estressado, a noite misteriosa revelou carícias que falavam seu silêncio amoroso, enquanto o relógio, descompassado, tentava diminuir seu ritmo com intervalos utópicos. Preciso me aquecer outra vez. Meu coração não pode congelar. Dos extremos, da tristeza das ausências e desencontros, à alegria de um novo amanhecer com um abraço de amor - comparável à música e à oração - fico no aguardo. Coração não pode esfriar assim.Se o balde d´água era mais frio do que eu pedi , ou mereci, sei que lá no fundo, bem no fundo, ficou a sementinha de uma faísca teimosa. Resistente, ela brotará devagar. E uma chama viva reacenderá para aquecer minha vida outra vez.
