Tuesday, September 28, 2004

Brasília em flor


Gosto de viajar nesta época pois a temperatura amena facilita a arrumação das malas. Não tem aquela história de separar roupa para o frio ou para o calor, pois é primavera, e o máximo ou o mínimo do guarda-roupa ficam nos cabides, guardadinhos. Também tem a expectativa de não pagar excesso de peso, embora as malas já estejam estourando com os mil e um presentes para a família que está no aguardo. Chegada em Brasília, no horário, sem nenhum contratempo.Um pouco espremida no assento do avião que foi transformado em ônibus tipo EPTC para levar o maior número posssível de passageiros, não podia fazer nenhuma reclamação pois a vantagem do preço por si só já compensava. Havia feito uma pesquisa e os disparates foram tantos que me decidi viajar com a BRA, empresa aérea que atualmente possui os preços mais em conta. Fazia tempo que eu não viajava a Brasília! Como no Sul, mas com maior intensidade, a primavera já deu o ar de sua graça na Região Centro-Oeste. É de estranhar o calor e a secura atípicos desta estação que se encarregou de madurar as flores das espécies mais exóticas e multicoloridas. Brasília é um jardim com mais de mil tipos de flores do cerrado que colorem toda cidade. Grandes, pequenas, roxas ou amarelas, elas estão por toda parte. Em balões das entrequadras, nos gramados do Poder, nas árvores que contornam a Esplanada dos Ministérios, em frente ao Palácio do Buriti, seguindo o Eixo Monumental, depois passando o setor das Embaixadas, a grama seca e amarelada contrasta definidamente com o colorido das flores da cagaita, da sucupira branca, da quaresmeira, da fisocalima, além dos ipês branco, amarelo e roxo. Beleza pura. Completando o cénário natural que acompanha o percurso que leva ao meu destino, fazemos a travessia pela ponte JK, considerada a mais bela do mundo. Sabe por quê? Pela imponência, beleza e engenhosidade. Além disso, é também a terceira ponte sobre o Lago Paranoá, nascido órfão de pai e mãe, mas concebido pela mente sábia de grandes sonhadores que queriam uma capital plantada no coração do Brasil. A JK possui dupla função viária e estética com arcos que cruzam diagonalmente em aparados nos pontos opostos. Deixo-me inebriar com as belezas daqui. Não é para menos que a UNESCO tombou Brasília intitulando-a " cidade monumento da Humanidade", capital da excentricidade, da cultura , uma espécie de Galeria de Arte Moderna para a posteridade. Os poucos dias que ficarei por aqui, serão o banho de civilização de que eu estava precisando...

Sunday, September 19, 2004

Aprendizagem

Viva! Estou feliz! Aprendi a colocar figuras em meu Blog. Meu amigo, com muita paciência, me ensinou a fazer mais uma arte...
Depois desta conquista, decidi revisitar meus blogs e tentar ilustrar apropriadamente alguns deles. Dá uma olhadinha no "Fernando em pessoa". Não é tão colorido e alegre como este daqui, mas em preto e branco, insosso e lúgubre, reflete a personalidade triste do homônimo poeta português.
Deste jeito em breve serei uma perfeita "bloggeira". Concorda comigo?

Wednesday, September 15, 2004

Frase que gostei

"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim".
Chico Xavier

Tuesday, September 14, 2004

Sua majestade, o sabiá

Tive um alegre despertar esta manhã. Escutei, lá longe, o cantar de um sabiá. Não é que o teimoso não se intimidou com a chuva que persiste em atrapalhar a chegada da nova estação? Desde criança aprendi que, quando o sabiá canta, o inverno acabou. Não sei afinal qual dos três é mais teimoso: a chuva, a primavera ou o sabiá. A natureza se encarregará de dar continuidade ao seu ciclo, enquanto nós, sobreviventes deste vai-e-vem do tempo, resgatamos e absorvemos nossas metamorfoses vivenciais.Mas onde estará este cantor matinal? Abro as janelas de meu quarto e perscruto o espaço livre que me separa da selva de pedra em frente. Felizmente restam pequenos espaços que foram ocupados pela copa de gigantescas árvores, vestidas com os matizes verdosos da nova brotação. Lá está ele, o sabiá cantador, anunciando timidamente sua presença ao seu par, quem sabe fazendo sua serenata de amor para constituir um novo ninho. Fico olhando curiosamente a cena molhada, e bendigo a pródiga natureza que sem muito charme e esforço, brinda-me gratuitamente com este espetáculo matutino de rara beleza.

Friday, September 03, 2004

Fernando em pessoa

Desejava tanto estar no Solar dos Câmara, dias atrás, que minha vontade transportou-me magicamente para lá. Estava me sentindo só, precisava compartilhar minha solidão e minha espera pelas flores da nova estação para levantar meu astral. Seria o espetáculo uma dica legal para espairecer meus pensares? Leitura dos poemas de Fernando Pessoa, misturando realidade,ilusão e memória num clima de mistério entre véus, castiçais e girassóis embalados pela sonoridade de Chopin e Debussy. O que não faz nossa imaginação? Não foi tão difícil assim pois o próprio poeta chegou de mansinho e, sabendo de meus pesares e temores nestas horas de tantas dores, assim falou:

Minha amiga.
Há doenças piores que as doenças,
Há dores que não doem, nem na alma.
Mas que são dolorosas que mais que as outras.
Há angústias sonhadas mais reais
Que as que a vida nos traz, há sensações
Sentidas só com imaginá-las
Que são mais nossas do que a própria vida.
Há tanta coisa que, sem existir,
Existe, existe demoradamente,
E demoradamente é nossa e nós...
Por sobre o verde turvo do amplo rio
Os circunflexos brancos das gaivotas...
Por sobre a alma o adejar inútil
Do que não foi, nem pôde ser, e é tudo.
Dá-me mais vinho, porque a vida é nada.

O pouco valor dado à vida, o próprio Fernando ratificou no dia de sua morte quando escreveu : "I know not what tomorrow will bring".Acho que devo procurar um tema mais light em meu próximo blog, pois afinal de contas, a vida é tudo o que temos e o maior valor que nos enriquce, Sai pra lá Fernando!...