Saturday, April 09, 2005

Sentido da vida

Por diversas vezes, meu professor de "Blog" corrigiu meus "postings" mal estruturados e sem alinhamento. Na última aula, percebi que ele não fez nenhum comentário sobre o texto das analogias. Talvez porque não tenha sido criação minha. Ele está certo. Se a gente não tem cacife para se estabelecer então é melhor tirar o cavalinho-da-chuva. Na verdade, o interessante nos blogs é a autenticidade e criatividade de cada bloggeiro ao escrever, botando pra fora as idéias de sua cachola. Desisti de copiar textos prontos. Partindo dessa premissa, me pus a pensar e a rabiscar conceitos relacionados ao verdadeiro sentido da vida, no porquê das coisas acontecerem de modo tão brusco e inesperado, sem nos dar tempo de assimilar e reagir.Será que a vida é curta demais para nós - tantos sonhos irrealizados? Ou longa demais - a rotina e os hábitos tornam-se entediantes? Não sei, não, mas acho que nada daquilo que vivemos terá sentido se não tocarmos o coração das pessoas. E isto não é tão difícil. É preciso saber ser como um colo que acolhe, um braço que envolve, uma palavra que conforta, um silêncio que respeita, uma alegria que contagia, uma lágrima que corre, um olhar que acaricia, um desejo que sacia, um amor que dá impulso. Talvez pensem que isto tudo seja coisa de outro mundo ou de outro século. Nada disto. O toque no coração das pessoas, inclusive o nosso próprio, é que dá sentido à vida, fazendo com que ela não seja nem curta e nem longa, mas que seja verdadeira, intensa e pura ... enquanto durar.

Saturday, April 02, 2005

Analogias

Que nome se dá à reciprocidade de sentimentos entre duas pessoas? Estava procurando a resposta quando encontrei o texto de Arthur da Távola, "Afinidade". O texto encerra uma grande verdade, e na realidade se encaixa perfeitamente a muitos sentimentos meus. Espero que gostem.

A afinidade não é o mais brilhante, mas é o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. É o mais independente. Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido. Afinidade é não haver tempo mediando a vida. É uma vitória do adivinhado sobre o real, do subjetivo sobre o objetivo, do permanente sobre o passageiro, do básico sobre o superficial. Ter afinidade é muito raro, mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Ela existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixam de estar juntas. O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade. Afinidade é ficar longe, pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento. Afinidade é sentir com... nem sentir contra, nem sentir para. Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. É olhar e perceber. É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar. Afinidade é jamais sentir por. Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo. Mas quem sente com, avalia sem se contaminar, compreende sem ocupar o lugar do outro, aceita para poder questionar. Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar. Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças, é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas quanto das impossibilidade vividas. Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar. E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.