Wednesday, June 15, 2005

Liberdade alcançada

O dia amanheceu sem cor. A noite deixara, atrás de si, marcas sombrias do pesadelo inacabado. Os ponteiros do relógio seguiam seu andar, impassíveis. Pronta para enfrentar o julgamento, eu sentia uma grande tensão, angústia, medo e desespero. O corpo gelado provocava tremores e o suor brotava com intensidade nas mãos e nas têmporas. Nunca estivera num lugar igual àquele. Nunca enfrentara situação igual àquela. Mas não estava só. Aos poucos fui sentindo o calor e a enrgia positiva da aura protetora que me envolvia. Reagi. Precisava resistir e ter coragem. Não via nada diante de mim, mas sabia que mil olhos e ouvidos estariam atentos. Atentos para julgar, atentos para compreender, atentos para perdoar. Tinha um grande compromisso pela frente. Sendo responsável e confiante na força que vem do alto, acreditava plenamente na atuação de meus defensores. Minha história, minha vida, meus segredos e meus medos, meu destino cruel e a tragédia que me envolvera inteiramente, anos atrás, seriam esmiuçados com detalhes, sem dó nem piedade. Estava pronta. Precisava me defender das acusações feitas contra mim, pois era inocente. Sou inocente. Com transparência, sinceridade e coragem quebrei o silêncio que emudecera minha voz por tanto tempo. Não deixei nenhum detalhe para trás. Uma frase martelava na minha cabeça, intensamente: "Aos elogios da turba preferimos os aplausos de nossa consciência". Era isto o que mais importava naquele momento. Se este lema iluminou minha vida desde a adolescência, ao terminar o curso ginasial, precisava aproveitar sua luz para clarear aqueles momentos cruciais. Consegui. Depois de todas as declarações feitas, estava com a consciência tranquila. Mas precisava esperar. E doze horas se passaram. Lentas como um século. Descompassadas e inquietantes. Até que o julgamento terminou, finalmente. O juiz pronunciou a palavra esperada: "ABSOLVIDA". Doeu, doeu... Chorei, chorei... Sofri, sofri...Resisti, resisti... Sobrevivi. Renasci. Estou livre. Estou livre. Obrigada , meu Deus.

Tuesday, June 14, 2005

"Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares". Josué, 1.9
Em nenhum momento de minha vida deixei de ter fé e esperança.

Monday, June 06, 2005

Dimensão da espera no tempo

Há exatamente um ano fiz minha estréia como blogueira. Durante o tempo em que aqui fazia minhas paradas nostálgicas, deixei registrados alguns instantâneos pessoais. Às vezes, levada pela angústia das mágoas sofridas e tristezas do passado, (serei masoquista, eu?) outras, pela alegria das novas expectativas de agora,com esperanças do recomeçar cada novo dia, exclusivamente. E estas últimas são só minhas. Emoções que minha fé me permite e me agracia com intensidade...(serei egoísta, eu?)Se pude guardar por tanto tempo, só pra mim, esta forma de auto-flagelo e sublimação de sentimentos e emoções, foi porque pensava só em mim, e gostava de sofrer? Então sou ou fui masoquista/egoísta. Na verdade, abri mão de mim mesma há muito tempo. Minha história é só minha. Mas vou continuar pelo fio inicial deste blog. Um ano passou desde meu primeiro post, mas antes disso, outro ano e mais outro já haviam passado desde a trágica noite que mudou completamente o rumo de minha vida. Uma vida irreal, poderia até dizer, fantasmagórica, com alegorias circenses, que em nada poderia comparar com a verdade dos fatos que comigo aconteceram. Mas aconteceram e só a mim dizem respeito. Como já dizia um amigo meu, também incentivador destas rabiscações virtuais, tentando levantar meu ânimo e minha auto-estima com grande sabedoria, "isto também vai passar". Agora estou pronta para enfrentar um desafio maior. Vou me defender das acusações feitas contra minha pessoa, pois sou inocente. Tenho este direito desde o momento em que a realidade dos fatos em que fui envolvida me dão esta certeza e me permitem exigir um julgamento e um juiz que seja responsável não apenas por toda justiça, mas pela remoção de qualquer injustiça que porventura possa transparecer. Para isto vou abrir as gavetas da minha privacidade, da vida que levei entre as quatro paredes da minha casa, que por muitos foi considerada, o meu lar. Mas não era o doce lar tão apregoado por aí, e sim, meu amargo lar. Vou deixar ecoar os sons lacônicos das incontáveis queixas e lamentos que sofri ao lado da pessoa que eu mesma escolhi para compartilhar todos os dias de minha vida. Permitir vislumbrar, senão em figuras esbranquiçadas, as ofensas sofridas, as mentiras que aceitei como verdades, as palavras doces que não puderam encobrir as maquinações de um coração duro, os olhos frios, embora lindos e verdes, que por algum tempo conseguiram me fascinar, as ameaças sofridas e as lágrimas contidas nas noites de espera e solidão de amor...Foi tudo contumaz engano, máscara de vazia felicidade. Fui driblada naquela noite trágica. O medo tomou conta de mim. Na ânsia incontida de me defender, lutei e fiz o que fiz, sem mesmo saber o que estava fazendo. Que Deus me perdoe e os anjos digam Amém.

PS:Não sei se publicarei este post ainda hoje, dia 6 de junho de 2005.Vou deixá-lo em banho-maria. Quem sabe será editado no andor da caravana virtual do destino.Já que não há dimensão para o tempo de minha espera...