VÔO SIMULADO (FINAL)
Subitamente, uma vertiginosa queda no vácuo tirou-me desse devaneio. Nuvens brancas e enormes flocos se acumularam, pintando o infinito azul em todas as direções. Empalidecendo aos poucos, a cor cinza tomou seu lugar, modificando-se cada vez mais para um cinza forte até a escuridão total.Uma noite de trevas que me impossibilitava qualquer tentativa para retornar ao ponto de partida. O que fazer? Esforços inúteis para conter o pássaro gigante que nesse momento se mostrava frágil ao bater suas asas, golpeadas pelos raios faiscantes. Começava a me desesperar. Um vento forte apertava meu peito, minha garganta. Não podia fraquejar. Precisava resistir. Onde minha coragem, minha força, determinação e energia para superar obstáculos? Onde minha orientação segura e mil e um cuidados utilizados no início do vôo? Procurei o painel para acionar o dispositivo de comando. Não encontrei nada. Era como se estivesse de olhos vendados, boca amordaçada, mãos algemadas, pernas paralisadas. Impossibilitada de reagir. Só sentia o coração bater. Bater forte, cada vez mais forte. Tinha o efeito de agudas punhaladas, o efeito destruidor das trovoadas que rebentavam meus tímpanos. Não sabia se estava subindo ou descendo. A aeronave executava acrobacias circenses mortais, liberada que estava da força da gravidade, mercê de sua própria sorte.
Desesperada, senti meu corpo saindo de mim mesma. Não era mais eu que pilotava o avião e nem o vôo fora simulado. Haverá algum sobrevivente entre os escombros desse terrível acidente ?
PS " A maior glória não está em não cair nunca, mas em levantar-se sempre depois de uma queda".
Confúcio- Filósofo chinês- 551-479 a.C.
" A queda não cancela a glória de ter subido".
P.Calderon de La Barca- Dramaturgo espanhol- 1600-1680.

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