Monday, August 22, 2005

Marcas

Aquele tempo que passou,
passou...
Foi bom ou foi ruim?
Deixou saudades?
Ficar indiferente a ele?
Fingir que não existiu?
Impossível...
Foi meu, só meu e só a mim diz respeito.
Doeu, machucou, sangrou, é verdade.
Motivo porque não quero tê-lo outra vez,
nem me passa pela cabeça resgatá-lo ou revivê-lo,
seja da forma como for.
Foram momentos que desfrutei,
mascarando a verdade, velada sob sete chaves,
quando sorria, lutando para esconder o mar de lágrimas contidas.
Foram momentos que optei por fazê-los só meus,
quando me sentia só, fingindo acreditar, aceitando o inaceitável,
quando idealizava a frágil estrutura de um porto, nem tão seguro,
pois construído sobre mentiras e aparências enganosas,
em solo arenoso e movediço.
Paredes vazias, desprovidas de concreto afeto,
aprisionaram meu coração,
fechado para a vida,
num tempo em que portas e janelas permaneciam cerradas para o mundo
lá fora.
Ah, se o mundo soubesse!
Mas,
porque “aos elogios do mundo, preferimos os aplausos da nossa consciência”,permanecia calada,
guardando o amor maior para apaziguar conflitos...
Quando as tempestades freqüentes dissipavam-se
com a calmaria de um novo rumo,
noites sóbrias,
longe do estrondoso relâmpago,
refletiam minha alma solitária e infeliz.
Aguardava, com esperança,
um novo amanhecer!
Confiava,
acreditava
e apostava,
(embora alto custo tivesse a pagar),
cobrindo os ouvidos aos rumores
e sons ensurdecedores que aturdiam minha mente.
Ameaças, rugir de dentes,
falsos sorrisos
e terríveis gargalhadas...
Limites ultrapassados...

Restam histórias que são minhas,
lembranças desbotadas das emoções vividas,
porque o tempo amenizou cores e dores...
porque a vida fez trincheira contra a morte...

Agora,
novos tempos virão.
Estes tempos serão meus,
mas não me antecipo em querê-los.
Por que?
Porque não poderei desfrutar desse momento que vivo
e que vai embora a cada segundo,
pois também é meu.
É o meu tempo.
Estou decidida:
”Não viverei de lembranças do passado
e muito menos de esperanças para o futuro.
Meu futuro é o agora” .
Bem-vindo!

Friday, August 05, 2005

Emoções

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"Bom te ver por aqui...Volta para a terrinha... Estamos com saudades...Tens tanto a fazer ainda..." Os apelos se sucedem a cada passo e a cada encontro com amigos e amigas, pessoas especiais que aqui deixei ficar. E eu caminho outra vez pelas calçadas da minha cidade, passo prédios antigos, edifícios restaurados, casas com paredes tão familiares, praças e avenidas que cruzei em outros tempo, mas que hoje apenas indicam a direção a seguir, sem mostrar o rumo que devo tomar. Olho tudo com outros olhos e uma sensação estranha arrepia cada poro da minha epiderme. Estou aqui outra vez. Posso andar pelo meu chão natal, cabeça erguida, nada a temer. Esperava por este dia, ansiosamente. A morosidade do tempo e dos fatos passados dobraram o exercício da paciência na espera de que tudo terminaria um dia, como toda história que tem começo, meio e fim. Este não é o fim da minha história. Tudo o que passou durante este tempo todo, me permitiu virar mais uma página do livro da miha vida. Estou começando um novo capítulo. Mas por incrível que pareça, os personagens da sequência são os mesmos, porém transformados. Estranho isto. Vou seguindo em frente e percebo que aqui deixei plantada uma árvore que cresceu e ficou grande, gigantesca. As raízes estão firmes, o tronco está envolto por uma camada grossa, crespa e enrugada dele partindo ramificaões com muitos galhos que estão danificados, quebrados, hora secos e retorcidos, sem vida, mas a copa está carregada, parece até vergada com o excesso das folhas que teimam em permanecer verdes e viçosas, entremeadas por flores coloridas, algumas, sem viço, murchas e desfolhadas. Que pena! Mas apesar de tudo, a árvore é bela. Precisa de alguns cuidados, precisa ser aguada, precisa de adubo pra continuar seu crescimento natural, precisa de cuidados, afinal. Não vou deixá-la sossobrar. Vez por outra precisarei retornar para cá. Aqui a semente germinou e brotou. Sim, o ciclo natural de sua existência deverá seguir seu rumo afinal.Farei o que estiver ao meu alcance.