Tuesday, July 27, 2004

O MUNDO DA VOVÓ

Já não se faz mais vovó como antigamente. Aquela figura de velhinha com cabelos brancos, óculos de aro fino, andar trôpego, apoiada à bengala ou sentada na cadeira de balanço, junto à lareira, rodeada pelos netinhos, foi substituída pela vovó moderna do século XXI. Mulher que acompanhou a evolução dos tempos, que se liga à Internet, ao celular, à robótica e ao trabalho de voluntariado. A vovó de hoje é uma mulher jovem - pois não são os anos de vida que contam. Ela é evoluída, inteligente, dinâmica, faceira e participativa, sem deixar de ser coruja e orgulhosa de sua prole. Acima de tudo, vovó é uma mulher apaixonada que se adaptou ao mundo em que vivemos, buscando sua felicidade.
Qual a rotina da vovó dos dias de hoje ?
Ela freqüenta academias e faz aeróbica para manter a linha e ter forças - carregar o netinho de lá pra cá, daqui pra lá não é mole.Faz caminhadas regularmente para manter a pressão sangüínea e os batimentos cardíacos em ritmo normal - os sustos e as proezass dos capetinhas não se fazem anunciar. Agenda o salão de beleza - vovó bonita dá os ares de Fada Madrinha à história da Cinderela, contada nos fins de semana. Faz cursos de culinária para receber com uma nova receita, os pequenos comilões que deixam o prato vazio e ainda a lambuzam com beijos doces e salgados. Sai a passear no Shopping ,sempre com as ferinhas, pra ver Garfield e Shrek, com direito a pipoca, coca-cola e quem sabe, um presentinho fashion encontrado na vitrine tentadora. Vovó não tem hora marcada. De dia ou de noite, a qualquer hora, ela sempre deve estar pronta.
Não pense que vida de vovó é só riso, amor e oba, oba. Vovó também fica triste, chora e sofre. É quando os netinhos ficam doentes ou se machucam. Então vovó reza e pede proteção a Deus. Também agradece a Ele. É um agradecimento de mãe, pelo filho e pelo neto. Vovó. Três gerações que se fundem e se confundem numa liga imensurável de amor.
Amor de mãe. Amor de filho. Amor de neto. Amor de vovó.

Wednesday, July 21, 2004

PARA MEUS AMIGOS, COM CARINHO!

Como é bom ser lembrada pelos amigos . A reciprocidade desse sentimento fecha o círculo . Preciso de meus amigos , mas meus amigos também precisam de mim. Essa verdade se encaixa perfeitamente a uma das necessidades vitais  do ser humano que não pode viver sozinho. Amigos são imprescindíveis. Lembro dos amigos que tenho, numa dimensão que se perde  de vista, no espaço e no tempo.Uma espécie de  nostalgia e tristeza toma conta de mim. Amigos de infância, amigos de escola, de trabalho, de vida, de tempos alegres e tristes, amigos com os quais compartilhei vitórias e decepções, esperanças e desenganos; amigos cordatos e outras vezes nem tanto, amigos que o tempo desvaneceu , desvinculando-os de minha memória, amigos que  perdi de vista, amigos que partiram para sempre, amigos que estão distante, amigos que estão bem perto de mim. Amigos novos, que parecem velhos amigos. Que bom  saber que  posso contar com eles. Faça frio, faça calor, chuva forte ou vermelho arrebol, uma pontinha deles todos está refletida em meu viver. Se os gestos são a demonstração viva de nossas emoções, apesar de fugazes, a expressão dos sentimentos através da textualidade pode ficar gravada em nosso arquivo das sentimentalidades ligadas ao coração, permitindo-nos fazer uma releitura, toda vez que fizermos um backdrop daquilo que ficou.Meu blogg hoje é especial para um amigo. Ele não é apenas "um amigo". Ele é o amigo que estava me faltando. Hoje. Agora.Que bom que eu o encontrei!
“Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta para o outro".





Monday, July 19, 2004

PROPOSTA

Eu te proponho:
 
"Vamos dividir nossos desejos ....
eu vou te dar o que te falta e tu me darás o que te sobra,
e juntos vamos sentir o sabor do doce e o gosto do mel..."
 
Proposta indecorosa, vais dizer.
Sem nexo, talvez.
Nem tanto, acho eu.
 
"Posta com muita cor, flor, sexo e sabor..."
 
 

Thursday, July 15, 2004

SENTIMENTOS


Gostaria  de dizer o que sinto, mas não sei explicar direito. É uma vontade grande que tenho de me perder e logo em seguida, me reencontrar.
Deixei-me cativar por ti, amigo. Teu jeito manhoso, de leãozinho, olhando-me demoradamente, atraiu minha atenção. Depois paraste para me ouvir, deixando-me desabafar, calando e me compreendendo.
Precisava de ti e mesmo não querendo, deixei-me envolver pela tua presença marcante.
Chegaste quando eu não pensava encontrar ninguém. Sozinha estava, desviando a mente para outras direções. No cruzamento  encontrei-te. Parei. Não estavas na contramão.
Outras vezes nossos caminhos cruzaram. Foi por acaso? Algumas vezes sim, outras não...
Briguei comigo mesma para reprimir os sentimentos que brotavam em mim. Reprimir, reprimir, sublimar, sublimar.
Acho que  não estou mais para encarar repressão e muito menos o pode ou não pode, de quem quer que seja. Pode , sim; posso sim.
Quero viver. Viver na plenitude de meu ser, como mulher, como ser humano, como alguém que merece um pouco de felicidade.
Me deste teu abraço e  quase me sufocaste. Me senti bem. Teu carinho, tuas carícias e sussuros  me arrepiaram e me deram prazer. Não tenho medo e no fundo , no fundo, era tudo o que eu queria.
E quero mais.
Me dei pra ti.



Monday, July 05, 2004

VANGUARDA NOS PALCOS MUSICAIS

Definitivamente não sou de vanguarda. Fui atraída pela propaganda envolvente dos meios de comunicação para o espetáculo do Merce Cunningham Dance Company, cuja
apresentação exclusiva no Teatro do SESI concentrou uma platéia fora dos padrões convencionais para um espetáculo inconvincente. Não esperava nenhuma dança clássica, nem as tradicionais sapatilhas de ponta com bailarinos executando um “pas de deux” com movimentos, passos e posições bem definidos. Sabia que o espetáculo seria diferente. E foi.
Antes de tudo precisava conhecer o currículo do criador desta dança de vanguarda, Merce Cunningham. Pois o tal coreógrafo, maldosamente conhecido como “Sergay Baitabichovsky”- desculpe a irreverência, Merce - buscou uma renovação estética e conceitual, criando nova coreografia nas danças clássicas apresentadas décadas passadas. Ele utilizou o vídeo, depois o computador e com arrojada criatividade, desenvolveu softwares para seu trabalho. Sua dança passou a existir como entidade independente da música, desenvolvendo-se a partir do acaso, ao contrário do que se fazia até então, com associação musical aos movimentos do corpo humano.O corpo passou a ser o principal material e meio de comunicação. Silenciosamente a platéia assistiu ao espetáculo.
O pano de boca abriu para as duas apresentações anunciadas: Biped e Soundance.
A primeira, explorando possibilidades com novas tecnologias de animação em captura de movimentos.
A segunda, exibindo a evolução de dez bailarinos que entravam e saíam por uma espécie de tenda, na parte traseira do cenário, em diferentes direções, sendo no final arrastados para trás como em um túnel de vento.O trabalho dos pés e os movimentos do torso eram complexos. Ficava a impressão de que o espaço era observado sob um microscópio. Deu para entender ou imaginar como foi?
Interessante? Monótono, Subjetivo demais? Sem expectativas?
A meu ver, o espetáculo foi apenas para ser visto e não interpretado ou explicado. Como toda arte! Como todo trabalho de vanguarda!

Saturday, July 03, 2004

AVISO

Eu queria que todos soubessem que meu amigo Beau não é somente meu amigo senão um pouquinho mais. Mesmo no alto da montanha, mesmo no fundo do vale, ele sempre será meu amigo. I'got a friend.

Thursday, July 01, 2004

UMA MENSAGEM PRA VOCÊ

Quero amigos loucos e sérios. Oxalá todos fossem assim: metade loucura, outra metade santidade.Não importa a cor,tipo físico, nem grau de escolaridade, mas deve ter pupila com brilho questionador e tonalidade inquietante. Fico com aqueles que fazem de mim também louca e santa. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tirem as dúvidas, amenizem minhas angústias e agüentem o que há de pior (ou melhor) em mim. Para isso, só sendo louco. Louco que senta e espera a chegada da lua cheia e às vezes conversa com as estrelas. Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Quero amigos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Pena, não tenho nem de mim mesma, e risada, ofereço ao acaso. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Quero amigos que me digam quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.

CURANDO AS DORES DA ALMA

Nestas duas últimas semanas lavei minha alma. Estava triste,desanimada,sofrida e angustiada.Precisava desacelerar meu coração e acalmar minha mente.Precisava encontrar a tranqüilidade das montanhas e fugir das confusões do dia-a-dia.Precisava retirar a tensão dos meus músculos e nervos com a música tranqüila dos rios de águas constantes que vivem nas minhas lembranças.Precisava falar com um amigo leal, precisava afagar uma criança e mais de tudo,precisava escutar minha música preferida. Consegui tudo isto e estou feliz.Dei uma parada, silenciei e reiniciei uma nova música em minha vida.
Os oito anos de carinho de meu neto, os telefonemas doces da caçulinha e as confortadoras palavras da bela adolescente que cresce na florescência de sua idade de sonhos, foram um coral de vozes uníssonas e bem afinadas. Já me sentia com novas forças para prosseguir.Então chegaram os convites... Convites para assistir aos concertos da temporada musical do Portinho. Embora não recebidos pelo correio intergalático, considerei-os irrecusáveis.Nem imaginava poder escutar, ver e aplaudir, no Teatro da Ospa, um dos meus ídolos, maestro Isaac Karabtchevsky, regendo com energia contagiante a grande Sinfônica que executou a Nona, divinamente.Vinham do céu e das profundezas guturais dos integrantes do Coro as mais audaciosas modulações, expressas em nuances sonoras de grande sentimentalidade. Beethoven e sua imortal obra-prima.
Para amenizar o início da semana, o programa ficou mais light, quando música e humor vieram de mãos dadas para tirar os fantasmas do sério, numa festa de 20 anos do renovado Theatro São Pedro. Para quem se retraiu de freqüentar os grandes espetáculos da casa, em época de My Fair Lady, Hair, Piaff, Eu te Amo e outros mais, foi um prato pra pedir bis.Mesclando palco musical e teatral, viajei, melancolicamente pelo tempo.Admirei o enorme lustre de cristal que pendia da cúpula purpurina e comparei a semelhança do mesmo com outro. Onde é que foi mesmo? Eu estava em Londres assistindo “O Fantasma da Ópera”, quando subitamente, o lustre despencou sobre a platéia, para causar maior efeito dramático à cena. O espetáculo agradou e ficou em cartaz por muitos anos. E o gigantesco lustre, caindo, caindo,ficou na lembrança.Acordei de meus sonhos para aplaudir a Orquestra de Câmara. Rostos conhecidos na platéia, no palco, no foyer do Teatro. Música e teatro formam um belo par. Impossível deixar de gostar.
O fecho de ouro das minhas sentimentalidades aconteceu ontem à noite. Desta vez o convite era para vibrar com a música de Tchaikovsky, em seu Concerto nº1 para piano e orquestra.Meu ídolo fez a regência com a mesma precisão e firmeza. Ao piano,o jovem Alexandre Dossin- "who´s who na terra gaúcha"- deu os primeiros acordes. Não resisti às lágrimas. Era o que estava faltando para lavar minha alma.A decantada arte de Tchaikovsky não se restringe apenas a sua música, mas ao modo como demonstrou seu sofrimento e desespero emocional. Com grande sensibilidade e virtuosismo, Dossin enriqueceu e valorizou a obra executada, conseguindo espelhar a música de minha própria vida. Então parei e fiz uma pausa. Para iniciar um novo compasso em meu viver.