Sunday, June 27, 2004

CAINDO NA REAL

Preciso fechar meus olhos e dormir - de verdade - para parar de sonhar. Que boba que eu sou, sonhando assim,a luz do dia, acordada. Acho que estou criando sonhos impossíveis de realizar!
Na verdade, o que eu queria mesmo - e isto não me espanta - era descobrir que estou vivendo um sonho que nem sonhei. Me vejo ao teu lado, recebendo teu carinho , no teu colo, dengosa, cumpliciando contigo coisas que só tu sabe fazer, dizer e entender.
No teu colo viver utopias, contos de Fadas que escreverei também.
Preciso fechar meus olhos e me deixar levar por um sono profundo,descansar... relaxar... me refazer...
Preciso parar de construir sonhos.
Preciso viver sem correr ou procurar.
Quero que meus sonhos venham me encontrar, seja lá onde eu estiver.
Mas que sejam reais...


Saturday, June 26, 2004

VÔO SIMULADO (FINAL)

Subitamente, uma vertiginosa queda no vácuo tirou-me desse devaneio. Nuvens brancas e enormes flocos se acumularam, pintando o infinito azul em todas as direções. Empalidecendo aos poucos, a cor cinza tomou seu lugar, modificando-se cada vez mais para um cinza forte até a escuridão total.Uma noite de trevas que me impossibilitava qualquer tentativa para retornar ao ponto de partida. O que fazer? Esforços inúteis para conter o pássaro gigante que nesse momento se mostrava frágil ao bater suas asas, golpeadas pelos raios faiscantes. Começava a me desesperar. Um vento forte apertava meu peito, minha garganta. Não podia fraquejar. Precisava resistir. Onde minha coragem, minha força, determinação e energia para superar obstáculos? Onde minha orientação segura e mil e um cuidados utilizados no início do vôo? Procurei o painel para acionar o dispositivo de comando. Não encontrei nada. Era como se estivesse de olhos vendados, boca amordaçada, mãos algemadas, pernas paralisadas. Impossibilitada de reagir. Só sentia o coração bater. Bater forte, cada vez mais forte. Tinha o efeito de agudas punhaladas, o efeito destruidor das trovoadas que rebentavam meus tímpanos. Não sabia se estava subindo ou descendo. A aeronave executava acrobacias circenses mortais, liberada que estava da força da gravidade, mercê de sua própria sorte.
Desesperada, senti meu corpo saindo de mim mesma. Não era mais eu que pilotava o avião e nem o vôo fora simulado. Haverá algum sobrevivente entre os escombros desse terrível acidente ?

PS " A maior glória não está em não cair nunca, mas em levantar-se sempre depois de uma queda".
Confúcio- Filósofo chinês- 551-479 a.C.

" A queda não cancela a glória de ter subido".
P.Calderon de La Barca- Dramaturgo espanhol- 1600-1680.



Friday, June 25, 2004

VÔO SIMULADO (PARTE 2)

Tudo transcorria como fora planejado.O céu azul em frente e a linha do horizonte muito clara me permitiam visualizar o sol ofuscante, sem nuvem alguma a empanar seu brilho e luminosidade. Para cima ou para baixo era um infinito azul, cortado apenas pela minúscula nave que varava o espaço sem deixar marcas de sua passagem. Ou quem sabe ziguezagueava um rastro de rabo de foguete enfumaçado? Meu corpo, minha alma, minha mente, todo meu ser deixavam-se levar por tal encantamento.
Passei montanhas, mares, grandes metrópoles, desertos, rios e cascatas. As minúsculas paisagens que via lá do alto tinham cor, beleza e vida própria. Por alguns momentos senti o brotar de lágrimas que turvavam minha visão, impedindo-me de ver mais longe, impedindo-me de acreditar naquilo que estava vendo. O mundo perfeito estava diante de meus olhos numa maquete pintada com muitas cores.Ilusão magnífica de uma verdade inventada, que a tantos podia enganar, mas que a poucos fazia sofrer e chorar. Chorar? Por que estou chorando? Preciso ficar atenta à pilotagem e aos instrumentos de bordo. Minhas responsabilidades continuam. Preciso prosseguir.

Wednesday, June 23, 2004

VÔO SIMULADO ( Em capítulos)

Tudo preparado. A grande aeronave,estática, estava pronta para iniciar o percurso projetado durante muito tempo. O roteiro poderia ser modificado, mas não era prevista nenhuma escala. O enorme painel aguardava o comando para aquele que seria meu primeiro vôo. Não faltaram as orientações de praxe, com mil e um conselhos entremeados de votos de sucesso e felicidades. A partir daí, não necessitaria do livro de instruções para pilotagem, uma vez que a instrutora tutelar, com sua presença diuturna já se encarregara de fazer a sua parte, com esmero e carinho. Na arte de pilotar, ela era uma expert e não foram poucas as vezes que ela demonstrara sua habilidade. Também podia dispensar o guia do marinheiro de primeira viagem. É preciso ser muito ingênuo para não saber que, em alto mar, as ondas gigantescas não se fazem anunciar e em suas reviravoltas fazem emergir os mistérios de suas recônditas profundezas. Na verdade o que me aguardava - e isto eu nem podia imaginar- não era o mar azul e sim o azul celeste do espaço infinito, desconhecido, que então surgia diante de mim como um aceno de esperança , tranquilidade e prazer. Para o alto e para frente era meu destino. Seria o destino daquele vôo a expectativa daqueles que aguardam o trajeto do ponto inicial sem turbulência ou imprevistos mais graves ?
Ocupei o assento que estava reservado na cabine de comando. Coloquei o cinto para ter um vôo tranquilo, sem sobressaltos. Era como se colocasse uma aliança de proteção que me traria segurança, garantindo-me felicidade e sucesso para tão almejado projeto de vida. O vôo iniciou com um impulso e velocidade supoersônicos. Medida de tempo proporcionalmente inversa ao que na verdade corresponde aos dias, meses e anos embutidos naquela viagem tão esperada.

Continua...

Tuesday, June 22, 2004

PRECISO FALAR

Antes que este momento passe, preciso falar
para aquelas pessoas que fazem sorrir meu coração...
Para a galera que sempre esteve junto, vibrando comigo,
acreditando em mim, mesmo quando a derrota era iminente...
Para as pessoas que fizeram a diferença em minha vida!
Para as pessoas que, quando olho para trás, sinto muitas saudades...
Para as pessoas que não me abandonaram quando me senti sozinha
e me ajudaram a entender que não importa em quantos pedaços
meu coração tenha se partido.
O mundo não pára para que eu o conserte.
Para as pessoas que me deram força quando o mundo parecia desabar...
Para as pessoas que amei, que amo e que dão sentido à minha vida...
Para as pessoas que abracei e que aqueceram meu corpo e minha alma sofrida...
Para aqueles que encontro somente em sonhos, e
para aqueles que encontro todos os dias , mas não tenho chance de dizer o que sinto...
Para aqueles que já se esqueceram de quanto foram importantes para mim...
Para aqueles que me magoaram e me feriram de tal forma, destruindo minha confiança, aprisionando-me às amarras do medo e da opressão...
e mesmo assim merecem meu perdão...
A vida é um caminho e o final dele ninguém conhece...
Por que importar-me com o que tenho na vida ?
Importante é quem eu tenho comigo.
Tenho DEUS e só uma vida para viver.
Dia a dia ela está mais curta,
mas ainda me restam alguns momentos .
Serão momentos para viver ou reviver ?}
Não importa, cada momento é muito importante...

Monday, June 21, 2004

ALGUÉM

Saindo de meu silêncio,
da concha escura onde estou aprisionada,
encontro alguém que me deixa falar.
Que me deixa dizer o que está preso dentro de mim.
Alguém, cujo nome até nem sei.
Me escuta, pacientemente, sem nada dizer.
Será sonho? Realidade?
Custo a crer e abro bem os olhos pra ver.
Será preciso ver para crer?
Reza alguma fiz pra São Thomé!
Mas sei que existe alguém.
Simplesmente...

Saturday, June 19, 2004

HERANÇA MATERNA

Senti saudades dela. Dos tempos de criança, quando ela fazia todas nossas vontades, atendendo nossos pedidos com carinho e amor. Além do mais, ela era uma perfeita doceira e a gente não fazia segredo disso. Sua fama ultrapassou fronteiras, causando inveja às meninas casadoiras que buscavam ensinamento no "Stift". Mas ela não só gostava das artes da culinária como também apreciava os quitutes que fazia. O livro de receitas, guardado na gaveta, surrado, inspirou-me. Há muito tempo não mudo o menu das sobremesas e hoje aproveitarei o dia para entrar na cozinha. De corpo e alma. A receita preferida dela. Vou tentar. Se vai dar certo não sei. Muitas vezes escutei de meus cobaias degustadores: "Tens mais jeito para doces do que para salgados". Então mãos à obra. Toda parafernália necessária para fazer o doce, ingredientes previamente selecionados, açúcar, farinha, ovos, fermento e coco ralado, branquinho e saboroso. Ritual que se deve seguir a risca para não errar(saboroso!!). Já estou imaginando o gostinho que vai ter. Logo, logo as essências aromáticas impregnam o ar aguçando o olfato e o paladar. O doce está pronto. Com certeza a família vai aprovar e até pedir bis. Mas como pra tudo tem tempo e hora, ainda não posso prosar. Acontece que o nome do doce é torta "Meia-noite" e segundo a lenda, pra sentir as delícias deste saboroso doce tem que esperar até o relógio marcar. Bom apetite!

PS: As saudades dela também me ajudaram a criar este texto. Obrigada, mãe.

Saturday, June 12, 2004

ESTRELA FALANTE

Você sabe quem eu sou ?
Não sou da Terra,nem habito as profundezas do mar.
Meu espaço vivencial é infinito.
Minha caminhada não tem retorno e muito menos, parada.
Sigo em frente , buscando meu destino, minha sina,
sem siquer imaginar o que me espera logo adiante.
Não me preocupo, nem me entristeço.
Corro riscos, enfrento tempestades, deixo-me levar e enlevar,
suportando pressões atmosféricas, periféricas ,etéreas.
Mas também vou deixando rastros em meu caminho.
Rastros de luzes cintilantes que salpicam as noites sem fim.
As noites dos poetas e dos enamorados,
dos menestréis e sonhadores,
que avidamente recorrem a mim para aplacar desejos,
buscar inspiração e amenizar solidões.
Você sabe quem eu sou?
Sou uma estrela.
ESTRELA.
Não aquela estrela cadente que vertiginosamente corta a escuridão da noite e se perde em seu olhar.
Estrela efêmera.
Sou a estrela candente. Estrela ardorosa e arrebatada.
Cheia de brilho e muita luz.
Se você olhar para o céu, com atenção, poderá me ver.
Sou a estrela candente, carente, que necessita de você.

Monday, June 07, 2004

ENGANOS QUE FAZEM BEM

A quem cabe a responsabilidade de uma publicação com data errada em conceituado jornal?Pois acabo de fazer a assinatura do Correio do Povo e, sequiosa de programas culturais, fui atraída pela divulgação do Concerto do Coro Sinfônico da OSPA, na Igreja São José,anunciado para o dia 5 de junho, sábado, às 18 horas. Chegando ao local, constatei o erro fatal. Na verdade a data havia sido antecipada. Fiquei decepcionada.Tinha vários motivos para enriquecer meu sábado solitário: além de escutar boa música, conheceria este espaço cultural que atualmente está sendo restaurado. Para não perder a corrida até o local, decidi entrar no templo, um dos mais belos de POA. As pessoas que para lá se dirigiam com o mesmo intuito, foram embora, resmungando insatisfeitas. Fiquei sozinha por algum tempo, fazendo minhas orações, envolvida pela grandiosidade e beleza da casa de Deus. Admirei a arquitetura interna, projeto de Lutzemberger, cujas obras foram iniciadas em 1924. Fixei meu olhar demoradamente nos altares de mármore, inspiração divina do escultor André Arjonas.Estava neste êxtase quando, subitamente, os sons do órgão quebraram o mágico silêncio que pairava no ar. Vozes de tenor e de soprano misturaram-se numa harmonia celestial. Estaria eu sonhando ? Nada disso. O trio ensaiava as partituras de belíssimas melodias que enlevariam, pouco depois, noivos, pais, padrinhos e convidados durante a cerimônia de casamento. Parênteses: Como é de praxe, a noiva chegou atrasadíssima e o noivo, idem, confirmando o costume "noiva chique sempre chega com atraso". Três gerações já haviam atravessado a nave atapetada da igreja . Tradição que se repete com muita pompa e brilho.Ali fiquei, embevecida e emocionada. A decepção da chegada espaireceu e o espetáculo inesperado prendeu-me por mais duas horas. Deixo para domingo o programa agendado. E o engano do Jornal fica para lá...

Sunday, June 06, 2004

SILÊNCIO

Gostei do que vi, e no silêncio da noite me perdi.
A noite e eu confabulamos e trocamos figurinhas incríveis. Nao posso deixar de lembrar o poema que escrevi tempos atrás.

Silêncio.
Sons num desencontro constante
Penetram a quietude da noite .
Silêncio.
Automóveis que passam, freadas distantes
Encontram eco no vácuo sem fim.
Silêncio rompido.
Angústia que aperta com força o peito sofrido
E o medo atroz, da incerteza, advém.
Silêncio outra vez.
A presença de alguém que regressa sem pressa .
Sons da esperança que acorda em mim.
Silêncio sem fim.

Saturday, June 05, 2004

SER LIVRE

Estou fazendo minha estréia no Blog.
Foi difícil, mas com o auxílio de um amigo meu, viciado em BLOGS,consegui finalmente criar meu Blog pessoal. Este será meu novo passatempo, agora que tenho meu novo XP. Estou torcendo para dar certo. Por que escolhi o nome SILÊNCIO E LIBERDADE? Porque em meu mutismo encontro resposta para muitas dúvidas e incertezas e porque sou livre, posso perscrutar fundo as razões que meu coração sufoca .
Plena de liberdade, sou livre quando aceito que o mais importante é a minha consciência e quando creio que DEUS é maior que o meu pecado.
Plena de liberdade, sou livre quando sei que o fracasso é apenas a hora de recomeçar e quando sou capaz de dar sentido e razão ao meu tempo. E como é bom este tempo que tenho...
Mas considerando que esta é minha estréia... vamos ver como fica...